Lírio do Pai, Tabor para o Mundo!!

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14 de janeiro de 2007

Campanha da Fraternidade 2007


FRATERNIDADE E AMAZÔNIA

A Amazônia será tema da Campanha da Fraternidade em 2007, com o lema: “vida e missão neste chão”.

Em 2002, a CNBB constituiu a Comissão Episcopal para a Amazônia com o objetivo de ajudar toda a Igreja no Brasil a voltar os olhos para a Amazônia e a tomar consciência dos grandes desafios da evangelização naquela região. A escolha do tema “Fraternidade e Amazônia” é expressão da mesma preocupação pastoral do episcopado; a Campanha da Fraternidade de 2007 poderá ser uma ocasião privilegiada para que também todo o Brasil tome consciência mais aprofundada sobre a complexa problemática da Amazônia e se volte para lá com políticas e iniciativas eficazes.

Ao falar em Amazônia, vem imediatamente à memória a preocupante questão ambiental: grandes rios e florestas imensas, devastação do verde e ameaça à riquíssima biodiversidade. Acompanhamos com apreensão a ocupação, muitas vezes predatória, das terras amazônicas, sem que seu complexo e delicado eco-sistema seja respeitado. O egoísmo e a ganância na exploração das riquezas, o descuido e a imprudência ameaçam seriamente esse patrimônio natural, que não é somente dos brasileiros; a devastação da Amazônia configura-se como uma perda e uma ameaça para toda a humanidade.

Amazônia também faz pensar em questões sociais e antropológicas: indígenas perturbados e agredidos em suas culturas; esvaziamento do território, já tão pouco povoado, crescimento caótico dos centros urbanos; ocupação de vastas áreas com projetos agropecuários, conflitos pela ocupação e posse das terras. O impacto da urbanização, da economia e da cultura globalizadas sobre as populações locais gera migrações, desenraizamento social, cultural e religioso; no coração da Amazônia, e não apenas na área de Manaus, apresentam-se os problemas sociais típicos de áreas metropolitanas e industriais do centro-sul do País: falta de infra-estrutura e de serviços públicos nas novas áreas de povoamento e nas explosivas realidades urbanas, desemprego, violência e degradação dos costumes.

A Amazônia, além disso, representa para a Igreja um conjunto de desafios novos postos à sua ação evangelizadora. As migrações levaram para a Amazônia centenas de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil; sugiram novas áreas de povoamento, que necessitam de assistência religiosa às populações e de estruturas de vida eclesial. As dioceses e prelazias daquela região, no passado, eram geralmente socorridas por missionários estrangeiros, que as serviam com recursos humanos e materiais vindos de fora do País; hoje essas forças ficaram drasticamente reduzidas e as Igrejas da Amazônia ainda não estão em condições de enfrentar sozinhas a sua imensa tarefa evangelizadora.

Como atender adequadamente as comunidades católicas esparsas pelo vasto território? A ação intensa de grupos religiosos não-católicos está questionando seriamente a capacidade e a agilidade de nossa Igreja católica em atender devidamente às necessidades religiosas dos seus próprios fiéis. Chegou a hora de uma grande ação solidária de toda a Igreja no Brasil para a evangelização da região amazônica. O apoio e o revigoramento daquela Igreja local tornou-se urgente e requer a ajuda de voluntários e missionários das outras regiões do País, além de recursos econômicos e logísticos.

“Vida e missão nesse chão”. A Igreja católica esteve presente no meio dos povos amazônicos desde o início da evangelização do Brasil e quer agora aprofundar sua presença e ação no meio deles. O lema aponta para os objetivos e a dupla preocupação da Campanha da Fraternidade de 2007. De um lado, fraternidade efetiva e corresponsabilidade na defesa e promoção da vida, que se manifesta de maneiras tão exuberantes e de tantos modos na Amazônia; por outro lado, fraternidade em relação à Igreja local, com todas as suas organizações e expressões, para que ela esteja em condições de assumir sua missão de anunciar o Evangelho da vida e da esperança aos povos amazônicos.

A CF de 2007 poderá ser um grande momento para trazer a Amazônia para dentro do coração da Igreja no Brasil e de todos os brasileiros; será ocasião também para suscitar iniciativas e ações eficazes de valorização e defesa daquela vasta e ameaçada região brasileira. Antes que seja tarde demais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Campanha da Fraternidade 2007
Movimentos sociais da Amazônia lançam Carta Aberta à CNBB
MANAUS (AM) - O Fórum Mestiço de Políticas Públicas e diversas entidades e movimentos sociais da Amazônia e nacionais, entre estes o Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, a Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia (ACRA), a Organização Brasileira de Afrodescendentes (OBÁ) e a União Nacional dos Indiodescendentes (UNID), estão apresentando uma Carta Aberta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta Quarta-feira de Cinzas, 21 de fevereiro, dia em que a Igreja Católica faz a abertura oficial da Campanha da Fraternidade de 2007, que tem como tema a Amazônia. Entre os diversos assuntos abordados na Carta Aberta estão as políticas indigenistas e para negros da CNBB, o risco de internacionalização da Amazônia, a questão fundiária e territorial na região. As entidades denunciam que tem havido uma política de negação da identidade mestiça nacional, apoiada pela CNBB e pelo governo federal, através da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que tem levado ao desrespeito à identidade dos caboclos da Amazônia e à ausência de políticas específicas para esse grupo. Denunciam que a CNBB, através da Pastoral Afro-Brasileira, adotou como suas demandas de grupos do movimento negro e tem apoiado a política do governo federal que identifica todos os pardos como sendo negros. Esta política, afirmam, visa à negação de identidades mestiças, entre elas a cabocla, identidade da maioria da população amazônica. Organizações como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), também ligado à CNBB, opuseram-se a demandas do movimento mestiço, como o reconhecimento de sua identidade pelo governo do Amazonas através da Lei do Dia do Mestiço. A negação dos direitos originários dos caboclos sobre a terra estaria levando à expulsão destas populações de áreas por eles historicamente habitadas. Informam que têm recebido denúncias de que caboclos estariam sendo constrangidos a assumirem identidade indígena para evitarem a expulsão, algo que, se comprovado, caracterizaria limpeza étnica. A identidade cabocla também estaria sendo ameaçada por seu fracionamento em identidades étnicas artificiais, apoiadas pela CNBB no Texto-base da Campanha, "a sociedade local e a academia se unem nesse esforço de registrar a ocupação e uso efetivo dos territórios por parte das populações tradicionais, contribuem para a definição de suas identidades étnicas e culturais". Esta política, entendem, facilitaria a internacionalização da região, pois a Campanha da Fraternidade também defende a soberania dos diversos "povos da Amazônia" e o enfraquecimento da presença militar brasileira na fronteira. Esta política já tem levado a conflitos étnicos na região. As organizações informam que a CNBB em momento algum entrou em contato com o Fórum Mestiço de Políticas Públicas nem com qualquer de suas entidades para tratar sobre a Campanha.
Cópia da carta em http://geocities.com/fusaoracial/carta_a_cnbb.htm